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A Tragédia de Macbeth: um show de sentimentos que nem sempre você precisa entender

O poder impactante dos sentimentos de Shakespeare pode fugir da compreensão, mas não deixa de emocionar

Publicado em 25 de março de 2022, por Críticas, Oscar 2022

A Tragédia de Macbeth (The Tragedy of Macbeth, no original) é a nova adaptação do clássico de Shakespeare e está concorrendo ao Oscar 2022 nas categorias de Melhor Ator — com o protagonista Denzel Washington —, Melhor Fotografia e Melhor Design de Produção. A obra é o primeiro trabalho solo de direção de Joel Coen, uma produção exclusiva para a Apple TV+. O longa foi amplamente aclamado pela crítica e também conta com a atriz Frances McDormand, esposa do diretor, como protagonista.

O filme conta a história de Lord Macbeth (Washington), que é convencido por três bruxas de que ele será o próximo rei da Escócia. Ele conta com a ajuda de sua esposa ambiciosa (Mcdormand), que está disposta a fazer de tudo para ajudar o marido a alcançar o poder.

Adaptar Shakespeare é sempre um desafio. Inúmeras versões já foram feitas com base em suas obras, portanto, é necessário ir além do comum para se destacar. No entanto, Coen foi bem sucedido ao realizar essa ambiciosa empreitada e conseguiu gerar um resultado com ar de originalidade.

O filme é um espetáculo visual, com grande destaque para a fotografia em preto e branco e para os magníficos trabalhos de atuação. Com essas qualidades aliadas ao lirismo de Shakespeare, a obra tem grande poder emotivo e impactante. No entanto, a complexidade dessas falas, chega a fazer com que partes do filme falem mais pelo impacto das palavras, do que pelo seu significado.

Há partes da narrativa que me fizeram sentir como se compreendesse a frase de Otelo, também de Shakespeare, “Sinto a fúria de suas palavras, mas não entendo nada do que diz”. Ou, talvez, eu apenas não seja culta o suficiente para entender Shakespeare com tanta facilidade, o que pode estar relacionado ao fato de eu saber esse trecho de Shakespeare de cor por causa da adaptação cinematográfica de Percy Jackson e não por ter lido essa peça. 

As cenas com a presença das bruxas estão entre as mais impactantes da produção. A caracterização e o trabalho de atuação aliados à fotografia e os efeitos visuais produziram um resultado magnífico. Coen trabalha aí com outra figura que já foi adaptada à exaustão, ainda mais que as próprias obras de Shakespeare, a das bruxas, mas consegue fazer de forma a ganhar destaque entre elas.

O avanço da narrativa em direção ao clímax da tragédia, também promove um show de imagens de arrancar suspiros. Uma poesia cinematográfica que faz você esquecer que não entendeu o significado de todas as frases, pois o mais importante parece estar no show de sentimentos exposto a sua frente. Pois, talvez, aí esteja a imortalidade de Shakespeare: na captura de sentimentos que sobrevivem ao tempo e independem de sentido.

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A Tragédia de Macbeth
The Tragedy of Macbeth
2021
Joel Coen
Joel Coen; William Shakespeare (baseado na peça de)
Apple TV+

Nota: 4

Nota: 4

24 anos. Jornalista com interesse em Estudos Culturais. Cohost do podcast Cadelinhas da Indústria Cultural. Fã de artes em diversas mídias, tentando acumular o maior número de hobbies possíveis.